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Polarização ou crime

Hoje todos falam de um país politicamente polarizado. Mas será verdade? Chamaríamos polarização a um aumento da criminalidade que ocasionasse uma reação da polícia? Seria polarização se os criminosos pagassem influenciadores para caluniar os que, por sua segurança, discaram 190? Não cuidávamos todos de nossas vidas, a maioria de nós indiferentes à política, até os criminosos escalarem o poder?

Ou estamos exagerando?

Pense no voto dos estupradores antes de falar em misoginia. Investigue como os assassinos e os ladrões votam, e identificará seus cúmplices.

Pergunte-se:

Você prefere quem defenda a soltura de assassinos e estupradores, os quais, soltos, matem e estuprem novamente? E isso para depois virem estatísticas de feminicídio pelas quais os que não estupraram nem mataram ninguém sejam chamados de misóginos? Quem apoia a saída de condenados perigosos, das penitenciárias, em dias de festas e fim de ano? Qual candidato é cúmplice do crime de um estuprador que, condenado a 121 anos, foi solto para fazer mais uma vítima adolescente? Será justiça soltar bandidos e condenar a oposição?

“Mas” – alguém dirá – “é tudo a mesma coisa.”

Será? Imagine um patife que, assumindo o poder, providenciasse dossiês sobre cada um de seus adversários políticos. Quando descobrissem os crimes desse tratante no poder, ele se valeria de qualquer irregularidade alheia. Sim, quando suas corrupções fossem descobertas, ele espalharia que era tudo a mesma coisa. E quando não fosse mais possível esconder o caso BANCOP, o caso das Planilhas Barusco, o desvio do DNIT, o escândalo dos Bingos, o caso Abreu e Lima, o escândalo do Mensalão, a operação Navalha, o escândalo das Montadoras, o esquema da Sete Brasil, o rombo do Postalis, a operação Acrônimo, o esquema dos Leitos, o escândalo do Petrolão, o escândalo da Refinaria de Pasadena, a operação Zelotes, o esquema André Vargas, o caso João Santana, as fraudes no INSS, os roubos dos fundos de pensão, e o caso Juscelino Filho, então eles achariam um assessor do opositor envolvido em uma rachadinha, embora os assessores de parlamentares do partido deles estivessem envolvidos incomparavelmente mais nessas rachadinhas, e com somas muito maiores. 

Quem se arrasta na lama difere de quem tropeça. Ou não? Vamos comparar o pior dos tropeços, e ainda assim um rei e um tirano diferem um céu – mesmo que o rei um dia pecasse como Davi. Mas para muita gente, porque ocasionalmente todos pecamos, todos somos iguais, e entre um criminoso e você, eles anulariam seus votos, não votando em ninguém. Então pense. Se você ameaçasse o poder deles, eles vasculhariam a sua vida inteira, encontrariam qualquer pequena falha sua, distorceriam suas palavras ou buscaram qualquer dito descuidado que saísse de sua boca, e então utilizariam a máquina pública e seus serviçais da televisão para corroer a sua reputação. Afinal, eles aparelharam o Estado e escoaram milhões para as empresas de tevê, valendo-se de um telejornalismo subserviente e de uma imprensa chapa-branca. É como se Davi concorresse com Hitler e Stalin, e os dois últimos falassem dia e noite dos tropeços do arrependido, e seria tudo a mesma coisa. Mas não é.

Você quer um governante amigo do Hamas e das FARC, um governante que, em defesa do crime organizado, alega soberania nacional, e para depois dizer que miliciano é o outro? Quer estatais como cabide de politicagem e corrupção, dando prejuízo, enquanto os corruptores protegem a ladroagem dizendo que o outro quer privatizar o que eles roubam?

Em quanto tempo você ganha três milhões e meio para um presidente gastar isso em quarenta e oito horas de hospedagem? De quantas vidas precisaria para acumular os mais de cem milhões gastos em dezoito dias de viagem ao exterior? Que cuidado dos pobres tem um perdulário que em quatro anos esbanja bilhões só em viagens? E se alguém esbanjou tanto em viagens, quanto deve ter gasto em cartões corporativos sob sigilo? Pode piorar? Em ano eleitoral, os gastos desse pilantra atingiram R$ 354 bilhões. 

Você quer um imposto novo a cada mês? Quer um país batendo recordes de arrecadação só para o Governo gastar mais do que arrecada? Mas quem administra bem sua casa gastando além do salário? Teria administrado a economia eficientemente quem multiplicou falências quatro ou cinco vezes mais, nos últimos meses, que o outro, num ano de pandemia? Você quer a carga tributária levando o trabalho à bancarrota, endividando o povo para que o Governo cultive milhões de eleitores desempregados, em troca de cestas básicas? Quer as divisas fugindo do país, as riquezas indo embora a fim de escapar da cobiça governamental?

Está satisfeito com a alta das passagens de avião? Prefere colocar a culpa nas empresas aéreas, e esquecer das reformas tributárias que triplicaram os impostos já altos que elas pagavam? Compre seu celular com 40% de imposto, deixe ao Governo 46% do montante pago por sua geladeira, e 82% por uma garrafa de licor. Assim vai a sua vida, entre taxas e extorsões, imposto de renda, imposto sobre a empresa, imposto sobre dividendos, impostos sobre o patrimônio, imposto sobre o ganho de capital, imposto sobre doação, imposto sobre herança. Então receba seu 13º em dezembro, só para nos meses seguintes entregar tudo aos políticos nas taxas de IPTU e IPVA.

Sim, você vive num país que empobrece seu povo, agora batendo recorde com uma arrecadação de 2 trilhões de impostos, e esse extorsor então põe a culpa da pobreza em quem ainda não faliu. Aí você olha as ruas esburacadas, as paredes sujas, as sarjetas multiplicando-se. E aí nota a barbarização do país, as letras de música abjetas, a fama repelente e as universidades públicas vulgarizadas com pichações pornográficas. Mas depois é tudo a mesma coisa, quem é a favor disso e quem é contra, é tudo igual – ou, pior, será que você escolherá quem só espera o período eleitoral passar para anunciar mais impostos, em ritmo constante e gradativo, até você e eu sermos inteiros escravos?

Espero que não.

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